Um bairro de São Paulo ocupa parte de uma cratera criada pelo impacto de um corpo celeste há milhões de anos. A estrutura, conhecida como Cratera de Colônia, fica em Parelheiros, na zona sul da capital, e tem cerca de 3,6 quilômetros de diâmetro. Agora, uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) encontrou novas evidências microscópicas que reforçam a origem da estrutura.
Para investigar a origem da estrutura, os pesquisadores analisaram cristais de zircão retirados de seu interior. O estudo, publicado em março de 2026 na revista científica Earth and Planetary Science, identificou marcas de choque nesses minerais. Assim, os cristais ajudam a reconstruir as condições extremas de pressão e temperatura durante a colisão.
Onde fica a Cratera de Colônia em São Paulo?
A Cratera de Colônia fica no distrito de Parelheiros, a menos de 40 quilômetros da Praça da Sé. Ali, a depressão abriga áreas urbanizadas, incluindo parte do bairro Vargem Grande. Além disso, reúne vegetação e sedimentos acumulados durante milhões de anos.
Por causa de sua origem, a estrutura apresenta uma borda elevada e uma depressão circular que se destaca nas imagens aéreas. Contudo, quem passa pela região talvez nem perceba sua origem: o tempo suavizou as marcas da colisão, enquanto plantas e construções modificaram a paisagem.
Pesquisadores começaram a estudar a formação na década de 1960. Mais tarde, em 2013, análises de materiais geológicos já haviam reunido evidências concretas de sua origem por impacto. Portanto, a cratera não foi descoberta em 2026; a novidade está na precisão das novas análises minerais.

Como os cientistas comprovaram o impacto de um asteroide?
A pesquisa reuniu especialistas da USP e do Instituto de Pesquisas Ambientais de São Paulo, sob coordenação do geólogo Victor Velázquez Fernandez. Primeiro, a equipe investigou amostras de sondagens realizadas na região e examinou 40 grãos de zircão. Em seguida, selecionou seis cristais para uma avaliação microscópica mais detalhada.
Como resultado, os cientistas identificaram cinco tipos de microdeformações. Entre elas estão as chamadas planar deformation features (PDFs), linhas microscópicas que aparecem no interior de determinados minerais quando ondas de choque extremamente intensas atravessam as rochas.
Além dessas linhas, os pesquisadores identificaram alterações na orientação dos cristais e texturas granulares. Em conjunto, as marcas indicam que o material enfrentou um evento de grande intensidade, compatível com a formação de uma cratera de impacto.
O estudo também mostrou que algumas faces cristalinas do zircão registraram mais deformações do que outras. Dessa maneira, os pesquisadores conseguem compreender melhor como a energia da colisão se propagou pelas rochas.
Quando o asteroide atingiu a região de Parelheiros?
Os cientistas ainda não conhecem a data exata da colisão. Por enquanto, pesquisas anteriores oferecem apenas uma estimativa ampla, entre 5 milhões e 36 milhões de anos atrás. Por isso, seria precipitado indicar um ano ou período geológico mais específico como se já houvesse consenso.
A equipe pretende aprofundar a datação dos minerais para restringir esse intervalo. Além disso, os sedimentos acumulados no interior da cratera guardam informações valiosas sobre mudanças ambientais e climáticas ocorridas ao longo de sua história.
Apesar dos avanços, ainda existem outras perguntas em aberto, como as características exatas do objeto que atingiu a Terra. Embora as pesquisas descrevam a estrutura como resultado do impacto de um asteroide, as informações disponíveis não permitem reconstruir com precisão o tamanho e a velocidade do corpo celeste.
Por que a Cratera de Colônia precisa de proteção?
A importância do local vai além da astronomia e da geologia. Além disso, a cratera integra a Área de Proteção Ambiental Capivari-Monos e possui reconhecimento como patrimônio natural. Entretanto, a expansão urbana desordenada e os problemas de saneamento ameaçam sua conservação.
Segundo os pesquisadores, a água das chuvas atravessa os sedimentos e abastece um aquífero raso associado ao sistema hídrico da região. Assim, a preservação ambiental também importa para a qualidade da água e para as comunidades que vivem no território.
Por fim, a identificação das novas marcas de choque reforça o valor científico desse patrimônio. Afinal, a Cratera de Colônia permite estudar os efeitos de uma colisão cósmica justamente em uma paisagem tropical e urbanizada, onde o desgaste natural costuma apagar evidências visíveis de impactos antigos.
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Fontes
- Earth and Planetary Science — estudo original sobre as microdeformações do zircão na Cratera de Colônia (2026)
- EACH/USP — divulgação institucional da pesquisa de 2026
- Jornal da USP — contexto geológico e socioambiental da Cratera de Colônia
- Agência FAPESP — histórico das pesquisas e preservação da cratera
